sábado, 23 de abril de 2011

A PAIXÃO SEGUNDO SÃO MATEUS



Passion Unseres Herrn Jesu Christi

Nach dem Evangelisten Matthäus



Musik: Johann Sebastian Bach
Text: Christian Friedrich Henrici,

Música: Johann Sebastian Bach
Texto extraído das Sagradas Escrituras

com comentários poéticos de C. F. Henrici,

conhecido como Picander



Primeira parte


Jesus é ungido em Betânia

(Mateus 26, 1-13)



Nº 1. CORO, CORAL



Coro

Venham, filhas; ajudem-me a chorar!

Olhem! (quem?) O noivo.

Olhem-no! (como?) Como um cordeiro.

Olhem! (o quê?) A sua paciência.

Olhem! (para onde?) Para as nossas culpas.

Olhem-no! Por amor e clemência

Ele carrega a madeira da própria cruz.



Coral (Sopranos “in ripieno”)

Ó inocente Cordeiro de Deus,

Sacrificado no tronco da cruz,

Sempre paciente;

Apesar de seres desprezado,

Suportaste todos os nossos pecados.

Sem ti teríamos nos desesperado.

Compadece-te de nós, Jesus!



Nº 2 Recitativo (26, 1-2)



Evangelista (EV):

Quando Jesus terminou suas palavras,

disse aos seus discípulos:



Jesus:

Bem sabeis que daqui a dois dias

será celebrada a páscoa e, o filho do homem

será entregue

para ser crucificado.



Nº 3 CORAL:
Amantíssimo Jesus,

em que transgrediste,

para que caia sobre ti

tão severa sentença?

Qual é a tua culpa?

Que más ações cometeste?





Nº 4 Recitativo (26, 3-4)

EV.
Então reuniram-se os principais sacerdotes,

os escribas e os anciãos da cidade

no palácio do sumo-sacerdote,

que se chamava Caifás. E resolveram buscar

o modo de prender a Jesus com ardis, para matá-lo.

Mas disseram:



Nº 5 Coro (26, 5)

Que não seja durante a festa (páscoa),

para não provocar tumulto no povo.



Nº 6 Recitativo (26, 6-7)



EV.

Estando Jesus em Betânia,

em casa de Simão, o leproso,

aproximou-se dele uma mulher

que trazia um vaso de alabastro cheio de bálsamo precioso, e lho derramou sobre a cabeça,

estando ele reclinado à mesa.

Quando os discípulos viram isso,

indignaram-se, e disseram:



Nº 7 Coro (26, 8-9)

Para quê esse desperdício?

Este perfume poderia ter sido vendido por alto preço

e o lucro dado aos pobres.



Nº. 8 Recitativo (26, 10-13)



EV.

Jesus, porém, percebendo isso, disse-lhes:



Jesus
Por que molestais esta mulher?

pois praticou uma boa ação para comigo.

Porquanto os pobres sempre os tendes convosco;

a mim, porém, nem sempre me tendes.

Ora, derramando ela este bálsamo sobre o meu corpo,

fê-lo a fim de preparar-me

para a minha sepultura.

Em verdade vos digo que onde quer que for pregado

em todo o mundo este evangelho,

também o que ela fez será contado

para memória sua.





Nº 9 Recitativo (Contralto)

Salvador bem amado,

Enquanto teus discípulos imprudentes

Murmuram vendo esta piedosa mulher

Preparar com ungüento o teu corpo

Para a sepultura,

Permite-me que, enquanto isso,

Meus olhos vertam sobre a tua cabeça

Um copioso fluxo de lágrimas.



Nº 10 Ária (Contralto):

Contrição e arrependimento

Torturam o meu coração culpável.

Que minhas lágrimas tornem-se para ti,

Fiel jesus, em agradáveis aromas.





A Última Ceia

(Mateus 26, 14-35)



Nº 11 Recitativo (26, 14-16)



Ev.

Então um dos doze discípulos,

chamado Judas Iscariotes

foi aos principais dos sacerdotes e lhes disse:



Judas:
Que me dareis se o entregar a vós?

Estou disposto a traí-lo.



Ev.

Ofereceram-lhe trinta moedas de prata,

e a partir de então procurava ocasião

para traí-lo.



Nº 12 Ária (Soprano):

Sangra, querido coração!

O menino que criaste,

que amamentaste no teu peito,

ameaça assassinar-te,

pois converteu-se em serpente.



Nº 13 Recitativo (26,17)



Ev.

No dia primeiro dos pães asmos,

aproximaram-se de Jesus os seus discípulos

e lhe perguntaram:



Nº 14 Coro:

Onde queres que façamos os preparativos

para a ceia da páscoa?



Nº 15 Recitativo (26, 18-22)



Ev.

Ele lhes disse:



Jesus:

Ide à cidade, a casa de fulano

e dizei-lhe: o mestre encarregou-me de dizer-te

que a sua hora se aproxima

e quer celebrar, na tua casa, a páscoa

com seus discípulos.



EV.

E os discípulos fizeram

como Jesus lhes havia ordenado

e prepararam a páscoa.

E ao entardecer, sentou-se à mesa

com os doze.

E quando estavam comendo, lhes disse:



Jesus:

Em verdade vos digo

que um de vós me trairá.



Ev.

Eles se entristeceram profundamente,

e, um por um, lhe perguntaram:



Coro:

Senhor, sou eu?



Nº 16 CORAL:

Sou eu, e deveria sofrer em seu lugar,

atado pelos pés e mãos,

no inferno.

A flagelação, as ataduras

e tudo quanto padeceste

minha alma é que merecia.



Nº 17 Recitativo (26, 23-29)



EV.

Ele respondeu, dizendo:



Jesus:

O que puser comigo a mão no prato

esse é o que me trairá.

O filho do homem continua o seu caminho,

conforme dele está escrito:

Mas ai daquele

por quem o filho do homem

for traído. Melhor seria

não ter chegado a nascer.





EV.

Judas, o que ia traí-lo,

lhe perguntou:



Judas:

Mestre, sou eu?



EV.

E ele lhe respondeu:



JESUS:

Tu o disseste.



EV.

Enquanto comiam, tomou Jesus o pão

e, dando graças, partiu-o

e deu-o aos seus discípulos, dizendo:



JESUS

Tomai e comei: este é o meu corpo.



EV.

E tomou o cálice e, dando graças,

ofereceu-lhes, dizendo:



JESUS

Tomai e bebei todos vós;

este é o meu sangue do novo testamento,

que será derramado por muitos

para a remissão dos seus pecados.

E digo-vos que não beberei mais

deste fruto da videira

até o dia em que o beba de novo

convosco no reino do meu Pai.



Nº 18 Recitativo (SOPRANO)

Apesar de o meu coração

se desfalecer em lágrimas,

quando Jesus se afasta de mim,

seu testamento enche-me de gozo.

Sua carne, seu sangue, apreciado tesouro!

põe-nos em minhas mãos.

Assim como na terra

só podia amar aos seus,

assim os amará até o fim.



Nº 19 Ária (Soprano)

Quero oferecer-te meu coração,

Mergulha-te nele, meu Salvador.

Quero em ti fundir-me;

Se o mundo é pequeno demais para ti,

Que sejas tu só para mim,

Mais que o céu e o mundo.



Nº 20. Recitativo (26, 30-32)



EV.

E tendo cantado um hino,

Saíram para o Monte das Oliveiras.

Então Jesus lhes disse:



Jesus:

Todos vós esta noite

vos escandalizareis de mim;

pois está escrito:

Ferirei o pastor,

e as ovelhas do rebanho se dispersarão.

Todavia, depois que eu ressurgir,

irei adiante de vós para a Galiléia.



Nº 21 Coral:

Reconhece-me guardião e pastor meu,

leva-me contigo!

De ti, fonte de todos os bens,

procedem todos os meus.

Tua voz me deliciou

com leite e doces alimentos.

Teu espírito satisfez-me

com mil gozos celestiais.



Nº 22 Recitativo (26, 33-35)



Ev.

Mas Pedro, tomando a palavra,

disse-lhe:



Pedro:

Mesmo que todos se envergonhem de ti,

eu jamais me envergonharei.



Ev.

Jesus lhe respondeu:



Jesus:

Em verdade te digo:

esta noite, antes que o galo cante,

me negarás três vezes.



Ev.

Pedro lhe respondeu:



Pedro:

Mesmo que tiver que morrer contigo,

não te negarei.



Ev.

E o mesmo disseram os outros discípulos.



Nº 23 Coral:

Quero ficar aqui, junto de ti,

não me rechaces.

Não estarei afastado de ti,

quando se fecharem os teus olhos;

quando teu coração se detiver

no último estertor da agonia,

então quero tomar-te entre meus braços

e colocar-te em meu seio.



No Monte das Oliveiras

(Mateus 26, 36-56)



Nº 24 Recitativo (26, 36-38)



Ev.

Então, veio Jesus com eles a um jardim,

chamado Getsêmani,

e disse aos seus discípulos:



Jesus:

Sentai-vos aqui,

enquanto eu vou ali para orar.



Ev.

E levando consigo Pedro

e os dois filhos de Zebedeu,

começou a se entristecer e a se angustiar.

Então Jesus lhes disse:



Jesus:

Minha alma está muito triste;

ficai aqui e velai comigo.



Nº 25 Recitativo (Tenor, Coral)



Solo:

Ó dor!

Aqui treme o coração atormentado!

Como se desfalece,

Quão descomposto está o seu rosto!

O Juiz o leva ante o tribunal.

Não há consolo, não há ajuda.

Sofre todos os tormentos infernais,

Expiando a culpa de todos.

Ah, se o meu amor pudesse, meu Salvador,

acalmar teus estremecimentos,

Suavizar tuas angústias ou ajudar-te a suportá-las!

Com que satisfação ficaria aqui contigo!



Coral

Qual é a causa de tais tormentos?

Ah, são meus pecados

o que assim te tortura?

Ah, Senhor Jesus,

sou o responsável

da culpa que tu expias!



Nº 26 Ária (Tenor, Coro)



Solo (Tenor):

Quero velar junto do meu Jesus.



Coro:

Assim, adormecem os nossos pecados.



Solo:

A dor da sua alma expia a morte da minha.

Seus padecimentos tornam possível

a minha alegria.



Coro:

Deste modo, um sofrimento que nos redime
tem que ser, ao mesmo tempo, amargo e doce.


Nº 27 Recitativo (26, 39)



Ev.

Adiantou-se um pouco

e prostrando-se até tocar a terra com o seu rosto,

orava, dizendo:



Jesus:

Pai, se for possível,

afasta de mim este cálice;

no entanto, não se faça a minha vontade, mas a tua.



Nº 28 Recitativo (Baixo):

O Salvador cai prostrado ante o seu Pai,

para assim levantar-nos a todos

de nossas quedas,

até alcançar de novo a graça de Deus.

Está disposto

a tomar o cálice amargo da morte,

onde estão vertidos

os odiosos e hediondos pecados deste mundo,

porque assim deseja o Pai amado.



Nº 29 Ária (Baixo)

Satisfeito aceitaria eu

carregar a sua cruz

e beber do cálice depois do meu Salvador,

pois a sua boca,

da qual mana leite e mel,

tornou doces, no primeiro sorvo,

o padecimento e o cruel opróbrio.



Nº 30 Recitativo (26, 40-42)



EV.

E voltando para os discípulos,

achou-os dormindo e lhes disse:



Jesus:

Assim nem uma hora pudestes

vigiar comigo? Vigiai e orai,

para que não entreis em tentação;

o espírito, na verdade está pronto,

mas a carne é fraca.



EV.

Retirando-se mais uma vez,

orou, dizendo:



Jesus
Meu Pai, se não é possível passar este cálice,

sem que eu o beba,

bebê-lo-ei, cumprindo assim a tua vontade.



Nº 31 Coral
Que sempre se cumpra a vontade de Deus,

Pois o que ele quer é o melhor;

Sempre está disposto a ajudar

aos que nele crêem firmemente;

Ele nos salva da miséria, o piedoso Deus,

e castiga-nos com moderação.

Quem em Deus confia, constrói sobre ele,

Pois não nos abandonará.



Nº 32 Recitativo (26, 43-50)



EV.

E, voltando outra vez, achou-os dormindo,

porque seus olhos estavam carregados.

E, deixando-os novamente, foi orar terceira vez,

repetindo as mesmas palavras.

Então voltou para os discípulos

e disse-lhes:



Jesus
Dormis agora e descansais?

Eis que é chegada a hora,

e o Filho do homem está sendo entregue

nas mãos dos pecadores.

Levantai-vos, vamo-nos;

eis que é chegado aquele que me trai.



EV.

E estando ele ainda a falar, eis que veio Judas,

um dos doze, e com ele

grande multidão com espadas e varapaus,

vinda da parte dos principais sacerdotes

e dos anciãos do povo.

Ora, o que o traía lhes havia dado

um sinal, dizendo:

Aquele que eu beijar,

esse é; prendei-o.

E logo, aproximando-se de Jesus, disse:



Judas
Salve, Rabi.



EV.

E o beijou.

Jesus, porém, lhe disse:



Jesus
Amigo, a que vieste?



EV.

Nisto, aproximando-se eles,

lançaram mão de Jesus, e o prenderam.



Nº 33 Dueto

(Soprano, Contralto, Coro Duplo)



Solistas:

Assim foi preso meu Jesus.

A lua e as estrelas

de dor se esconderam,

porque meu Jesus foi preso.

Levam-no, amarram-no.



Coro:

Deixem-no, soltem-no, não o amarrem!

Desapareceram os raios e os trovões

no céu?

Ó inferno, abre teu abismo de fogo,

destrói, arruína, devora, aniquila

com repentina fúria ao falso traidor,

ao sangue assassino.



Nº 34 Recitativo (26, 51-56)



EV.

E eis que um dos que estavam com Jesus,

estendendo a mão, puxou da espada

e, ferindo o servo do sumo sacerdote,

cortou-lhe uma orelha.

Então jesus lhe disse:



Jesus

Mete a tua espada no seu lugar;

porque todos os que lançarem mão da espada,

com a espada morrerão.

Ou pensas tu que eu não poderia rogar a meu Pai,

e que ele não me mandaria agora mesmo

mais de doze legiões de anjos?

Como, pois, se cumpririam as Escrituras,

que dizem que assim convém que aconteça?



EV.

Disse Jesus à multidão naquela hora:



Jesus
Saístes com espadas e varapaus

para me prender, como a um salteador.

Todos os dias estava eu

sentado no templo ensinando,

e não me prendestes.

Mas tudo isso aconteceu

para que se cumprissem

as Escrituras dos profetas.



EV.

Então todos os discípulos, deixando-o, fugiram.



Nº 35 Coral

Ó homem,

Chora teu grande pecado,

Pelo qual Cristo deixou o selo do seu Pai,

descendo à terra.

De uma virgem doce e pura

Nasceu para nós,

Para ser o Mediador;

Deu vida aos mortos

E curou os doentes,

Até que chegou a hora

De ser sacrificado por nós,

De carregar sobre a cruz

O pesado fardo dos nossos pecados.





SEGUNDA PARTE





O Falso Testemunho

(Mateus 26,57-63)



Nº 36 Ária (Contralto, Coro)



Solo:

Ai, meu Jesus já não está mais aqui!

Será possível, devo crer nos meus olhos?

Ai, meu Cordeiro nas garras do tigre?

Ai, onde foi o meu Jesus?

Ai, o que devo responder à minha alma, quando, dolorida, me pergunta:

Ai, onde foi o meu Jesus?



Coro:

Aonde foi o teu amado,

Ó tu, a mais bela dentre as mulheres?

Para onde se encaminhou o teu amado?

Queremos ajudar-te a buscá-lo.



Nº 37 Recitativo (26, 51-59)



EV.

E os que prenderam Jesus

o levaram à casa de Caifás, o sumo sacerdote,

onde se haviam reunido

os escribas e os anciãos.

Mas Pedro o seguia de longe

até ao pátio do sumo-sacerdote

e, tendo entrado,

assentou-se entre os serventuários,

para ver o fim.

Ora, os principais sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam algum testemunho falso contra Jesus,

a fim de o condenarem à morte.

E não acharam.



Nº 38 Coral

O mundo julgou-me falsamente,

Com mentiras e enganos,

Com escuras redes e ciladas,

Senhor, defende-me deste perigo,

Livra-me destas perfídias.



Nº 39 Recitativo (26, 60-63)



EV.

Apesar de se terem apresentado muitas testemunhas

falsas, não encontraram nenhuma.

Mas, afinal, compareceram duas, afirmando:



Primeira e segunda Testemunhas
Ele disse: “eu posso destruir o templo de Deus

e reconstruí-lo em três dias”.





EV

E, levantando-se o sumo sacerdote,

perguntou a Jesus:



Pontífice

Nada respondes ao que estes

Depõem contra ti?



EV

Jesus, porém, guardou silêncio.



Nº 40 Recitativo (tenor)

Meu Jesus guarda silêncio

diante das falsidades,

para mostrar-nos assim

que a sua misericordiosa vontade

se oferece para sofrer por nós,

e que também na adversidade

devemos fazer como ele:

permanecer em silêncio na perseguição.



Nº 41 Ária (tenor)

Paciência, paciência

Quando falsas línguas me firam,

Quando sofra injustamente

Injúria e escárnio.

O Deus amado vingará

A inocência do meu coração.



Jesus perante Caifás e Pilatos

(Mateus 26, 63-75; 27, 1-14)



Nº 42 Recitativo (26, 63-66)



EV

E o sumo sacerdote respondendo,

disse- lhe:



Pontífice

Conjuro-te pelo Deus vivo

que nos digas se tu és o Cristo,

o Filho de Deus.



EV

Jesus lhe respondeu:



Jesus
É como disseste; contudo vos digo

que vereis em breve

o Filho do homem

assentado à direita do Poder,

e vindo sobre as nuvens do céu.



EV

Então o sumo sacerdote rasgou as suas vestes,

dizendo:



Pontífice
Blasfemou; para que precisamos

ainda de testemunhas?

Eis que agora acabais de ouvir

a sua blasfêmia. Que vos parece?



EV

E respondendo, disseram:



Coro
É réu de morte!



Nº 43 Recitativo (26, 67-68)



EV

Então uns lhe cuspiram no rosto

e lhe deram socos;

e outros o esbofetearam,

dizendo:



Coro

Profetiza-nos, ó Cristo;

quem foi que te bateu?



Nº 44 Coral

Quem te golpeou assim,

Meu Salvador, e com tormentos

Tão cruelmente te maltratou?

Tu não és um pecador,

como nós e nossos filhos;

da maldade nada conheces.



Nº 45 Recitativo (26, 69-73)



Ev.

Pedro estava sentado fora, no átrio

e, aproximando-se uma servente, lhe disse:



Primeira servente:

Tu estavas também com Jesus da Galiléia.



Ev.

Mas ele o negou ante todos, dizendo:



Pedro

Não sei o que estás dizendo.



Ev.

Quando ele se encaminhava para a porta

foi visto por outra,

que disse aos presentes:



Segunda servente:

Este estava também com Jesus de Nazaré.



Ev.

E de novo o negou, jurando:



Pedro:

Não conheço esse homem.



Ev.

E pouco depois dirigiram-se a Pedro

os que lá estavam, dizendo:



Coro:

Verdadeiramente, tu és um dos seus,

pois a tua fala te condena.



Nº 46 Recitativo (26, 74-75)



Ev.

Então, começou a amaldiçoar

e a praguejar:



Pedro:

Não conheço esse homem!



Ev.

E, simultaneamente, cantou o galo.

Então lembrou-se Pedro das palavras de Jesus,

que tinha lhe dito: Antes que cante o galo,

me negarás três vezes.

E saindo, chorou amargamente.



Nº 47 Contralto:

Tem piedade de mim, Deus meu,

observa meu pranto;

eis que meu coração e meus olhos

choram amargamente diante de ti.

Tem piedade de mim!



Nº 48 Coral

Mesmo que eu me afaste de ti,

Voltarei de novo ao teu lado;

Pela angústia e tormentos da morte

Fez-se teu Filho semelhante a nós.

Não nego a minha culpa,

Mas a tua graça e benevolência

São muito melhores que o meu pecado,

Que sempre carrego comigo.



Nº 49 Recitativo (27, 1-4)



EV.

Ora, chegada a manhã,

todos os principais sacerdotes e os anciãos do povo

entraram em conselho contra Jesus, para o matarem;

e, maniatando-o, levaram-no

e o entregaram ao governador

Pontio Pilatos.

Então Judas, aquele que o traíra,

vendo que Jesus fora condenado,

devolveu, compungido,

as trinta moedas de prata

aos anciãos, dizendo:



Judas

Pequei, traindo o sangue inocente.





Ev.

Responderam eles:



Coro

Que nos importa? Seja isto lá contigo.



Nº 50 Recitativo (27, 5-6)



Ev.

E tendo ele atirado para dentro do santuário

as moedas de prata, retirou-se,

e foi enforcar-se.

Os principais sacerdotes, pois, tomaram as moedas

de prata, e disseram:



Pontífices:

Não é lícito metê-las no cofre das ofertas,

porque é preço de sangue.



Nº 51 Ária (Baixo)

Devolvei-me o meu Jesus!

Vede: o dinheiro, o preço do sangue,

o filho perdido atira a vossos pés.





Nº 52 Recitativo (27, 7-14)



Ev.

E, tendo deliberado em conselho, compraram com elas

o campo do oleiro, para servir de cemitério

para os estrangeiros. Por isso tem sido chamado aquele campo, até o dia de hoje,

Campo de Sangue.

Cumpriu-se, então, o que foi dito

pelo profeta Jeremias:

Tomaram as trinta moedas de prata,

preço do que foi avaliado,

a quem certos filhos de Israel avaliaram,

e deram-nas pelo campo do oleiro,

assim como me ordenou o Senhor.

Jesus, pois, ficou em pé diante do governador;

e este lhe perguntou:



Pilatus

És tu o rei dos judeus?



Ev.

Respondeu-lhe Jesus:



Jesus

É como dizes.



Ev.

Mas ao ser acusado

pelos principais sacerdotes e pelos anciãos,

nada respondeu. Perguntou-lhe então Pilatos:



Pilatus

Não ouves quantas coisas testificam contra ti?



Ev.

E Jesus não lhe respondeu a uma pergunta sequer;

de modo que o governador

muito se admirava.



Nº 53 Coral

Confia o teu caminho

E tudo o que o teu coração sofre

Ao mais fiel dos guardiões.

Aquele que reina nos céus,

O que rege os rumos

E os caminhos dos ventos

E das núvens sempre será

O melhor guia para ti.



Entrega e Flagelação

(Mateus 27, 15-30)



Nº 54 Recitativo (27, 15-22)



Ev.

Para a festa era costume que o governador

concedesse liberdade a um preso,

àquele que o povo escolhesse.

Havia naquele tempo um preso,

notável entre os demais,

que se chamava Barrabás.

E quando estavam reunidos,

disse-lhes Pilatos:



Pilatos:

A quem quereis que liberte:

a Barrabás ou a Jesus,

o que diz ser o Cristo?



Ev.

Pois ele estava certo de que

o tinham acusado por inveja.

E quando estava sentado no tribunal,

entrou sua mulher para dizer-lhe:



Mulher de Pilatos:

Não te impliques com esse justo,

pois hoje sofri muito em sonhos

por causa dele.



Ev.

Mas os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram o povo

para que pedisse por Barrabás

e condenasse à morte Jesus.

E tomando a palavra,

o governador lhes disse:



Pilatos:

Qual destes dois quereis que liberte?





Ev.

Eles disseram:



Coro:

Barrabás!



Ev.

Pilatos lhes perguntou:



Pilatos:

Que devo fazer com Jesus,

o que diz ser o Cristo?



Ev.

Todos responderam:



Coro:

Crucifica-o!



Nº 55 Coral

Que incompreensível é este castigo!

O bom pastor sofre pelo seu rebanho:

O Senhor, o justo, paga a culpa

dos seus servos!



Nº 56 Recitativo (27, 23)



Ev.

Pilatos, porém, disse:



Pilatos

Pois que mal fez ele?



Nº 57 Recitativo (soprano)

Ele fez o bem a todos:

Deu vista os cegos,

Fez andar os mancos,

Transmitia-nos a palavra do Pai,

Afastou os demônios,

Consolou os aflitos,

Carregou sobre si as nossas culpas;

Só coisas assim fez o meu Jesus.



Nº 58 Ária (soprano)

Por amor quer morrer meu Salvador;

Ele que nada conhece do pecado,

Para que a eterna condenação

E o castigo da justiça

não pesem sobre minha alma.



Nº 59 Recitativo (27, 23-26)



Ev.

Mas eles clamavam ainda mais:



Coro
Crucifica-o!



Ev.

Ao ver Pilatos que nada conseguia,

mas pelo contrário que o tumulto aumentava,

mandando trazer água, lavou as mãos

diante da multidão, dizendo:



Pilatus

Sou inocente do sangue deste homem;

seja isso lá convosco.



Ev.

E todo o povo respondeu:



Coro

O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos.



Ev.

Então lhes soltou Barrabás;

mas a Jesus mandou açoitar,

e o entregou

para ser crucificado.



Nº 60 Recitativo (contralto)

Misericórdia, ó Deus!

Eis o Senhor amarrado.

Ó açoites, pancadas, feridas!

Verdugos, detende-vos!

Não vos comove a visão dos sofrimentos desta alma,

de tal desolação?

Ah, sim, ainda que tenhais coração,

Deve ele ser mais cruel

que o poste de tortura.

Misericórdia dele, detende-vos!



Nº 61 Ária (contralto)

As lágrimas no meu rosto

são impotentes.

Toma, então, meu coração!

Mas deixa também que seja como um cálice

de sacrifício para o fluxo de sangue

das suas feridas.



Nº 62 Recitativo (27, 27-29)



Ev.

Nisso os soldados do governador

levaram Jesus ao pretório,

e reuniram em torno dele

toda a coorte.

E, despindo-o,

vestiram-lhe um manto escarlate;

e tecendo uma coroa de espinhos,

puseram-lha na cabeça,

e na mão direita uma cana,

e ajoelhando-se diante dele,

o escarneciam, dizendo:



Coro

Salve, Rei dos Judeus!



Ev.

E cuspiram-lhe, e com uma vara

davam-lhe na cabeça.



Nº 63 Coral:

Ó fronte ensangüentada e ferida,

dorida e escarnecida!

Ó fronte ferida, para zombaria,

por uma coroa de espinhos!

Ó fronte, antes belamente adornada,

com a mais alta das honras

e agora assim atacada:

Eu te saúdo!

Tu, nobre rosto,

ante o qual teme e treme o juízo final,

de que forma cospem sobre ti!

Quão lívido estás!

Quem apagou de forma tão infame

a luz sem igual dos teus olhos?







A Crucificação

(Mateus 27, 31-54)



Nº 64 Recitativo (27, 31-32)



Ev.

Depois de o terem escarnecido,

despiram-lhe o manto,

puseram-lhe as suas vestes,

e levaram-no para ser crucificado.

Ao saírem, encontraram um homem cireneu,

chamado Simão, a quem obrigaram

a levar a cruz de Jesus.



Nº 65 Recitativo (Baixo)

Sim, certamente a nossa carne e sangue

quiseram ser requeridos para levar a cruz;

Pois isto será melhor para a nossa alma

Quanto mais amargo lhe seja.



Nº 66 Ária (Baixo)

“Vem, doce cruz”, quero assim dizer.

Dá-me-a para sempre, meu Jesus!

Se meu sofrimento é intolerável,

Ajuda-me, então, a suportá-lo.



Nº 67 Recitativo (27, 33-43)



Ev.

Quando chegaram ao lugar

chamado Gólgota,

que quer dizer, lugar da Caveira,

deram-lhe a beber vinho

misturado com fel; mas ele, provando-o,

não quis beber.

Então, depois de o crucificarem,

repartiram as vestes dele, lançando sortes,

para que se cumprisse

o que foi dito pelo profeta:

Repartiram entre si as minhas vestes,

e sobre a minha túnica deitaram sortes.

E, sentados, ali o guardavam.

Puseram-lhe por cima da cabeça

a sua acusação escrita:

ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS.

Então foram crucificados com ele dois salteadores,

um à direita, e outro à esquerda.

E os que iam passando blasfemavam dele,

meneando a cabeça

e dizendo:







Coro

Tu, que destróis o santuário

e em três dias o reedificas,

salva-te a ti mesmo; se és Filho de Deus,

desce da cruz.



Ev.

De igual modo também os principais sacerdotes,

com os escribas e anciãos,

escarnecendo, diziam:



Coro

A outros salvou;

a si mesmo não pode salvar.

Rei de Israel é ele;

desça agora da cruz,

e creremos nele;

confiou em Deus,

livre-o ele agora, se lhe quer bem;

porque disse: Sou Filho de Deus.



Nº 68 Recitativo (27, 44)



Ev.

O mesmo lhe lançaram em rosto também

os salteadores que com ele foram crucificados.



Nº 69 Recitativo (Contralto)

Ah! Gólgota, funesto Gólgota!

O Senhor da Glória

perecerá aqui ultrajado,

O Benfeitor e Salvador do mundo

foi crucificado como um malfeitor.

Terra e ar hão de privar-se

do Criador do céu e da terra;

o inocente morrerá como culpado;

isto aflige extremamente minha alma.

Ah! Gólgota, funesto Gólgota!



Nº 70 Ária (Contralto, Coro)



Solo:

Vejam: Jesus estende a sua mão

para abraçar-nos. Venham!



Coro:

Aonde?



Solo:

Aos braços de Jesus.

Busquem a redenção e recebam a misericórdia;

busquem!



Coro:

Onde?



Solo:

Nos braços de Jesus vivam, morram, repousem aqui,

jovens abandonados; permaneçam!



Coro:

Onde?



Solo:

Nos braços de Jesus.



Nº 71 Recitativo (27, 45-50)



Ev.

E, desde a hora sexta,

houve trevas sobre toda a terra,

até a hora nona.

Cerca da hora nona,

bradou Jesus em alta voz, dizendo:



Jesus

Eli, Eli, lamá sabactani;



Ev.

isto é, Deus meu, Deus meu,

por que me desamparaste?

Alguns dos que ali estavam,

ouvindo isso, diziam:



Coro

Ele chama por Elias.



Ev.

E logo correu um deles,

tomou uma esponja,

ensopou-a em vinagre e, pondo-a numa cana,

dava-lhe de beber.

Os outros, porém, disseram:



Coro

Deixa, vejamos se Elias vem salvá-lo.



Ev.

De novo bradou Jesus com grande voz,

e entregou o espírito.



Nº 72 Coral

Quando eu tiver de partir,

não te afastes de mim!

Quando eu tiver de sofrer a morte,

Vem para o meu lado!

Quando meu coração estiver

Invadido pelos maiores temores,

Arrebata-me da minha aflição

Com tua angústia e a tua pena!



Nº 73a Recitativo (27, 51-54)



Ev.

E eis que o véu do santuário

se rasgou em dois,

de alto a baixo;

a terra tremeu, as pedras se fenderam,

os sepulcros se abriram,

e muitos corpos de santos que tinham dormido

foram ressuscitados;

e, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele,

entraram na cidade santa,

e apareceram a muitos.

Ora, o centurião

e os que com ele guardavam Jesus,

vendo o terremoto

e as coisas que aconteciam, tiveram grande temor,

e disseram:



Coro

Verdadeiramente este era filho de Deus.



O Sepultamento

(Mateus 27,55-66)



Nº 73b Recitativo



Ev.

Também estavam ali, olhando de longe,

muitas mulheres que tinham seguido Jesus

desde a Galiléia

para o ouvir;

entre as quais se achavam Maria Madalena, Maria,

mãe de Tiago e de José,

e a mãe dos filhos de Zebedeu.

Ao cair da tarde, veio um homem rico

de Arimatéia, chamado José,

que também era discípulo de Jesus.

Esse foi a Pilatos

e pediu o corpo de Jesus.

Então Pilatos mandou que lhe fosse entregue.



Nº 74 Recitativo (Baixo)

Ao entardecer, ao refrescar,

Fez-se evidente o pecado de Adão.

Ao entardecer, o Salvador o redimiu;

Ao entardecer, retornou a pomba

Trazendo um ramo de oliveira no bico.

Ó bela hora, momento do entardecer!

Agora estão feitas as pazes com Deus,

Pois Jesus cumpriu já a sua cruz.

Seu corpo já descansa em paz.

Alma bem-amada, roga,

Vem e pede que te entreguem Jesus morto,

Adorado presente!



Nº 75 Ária (Baixo)

Purifica-te, coração meu,

Eu mesmo quero enterrar Jesus.

Pois ele encontrará em mim

para sempre doce repouso.

Ó Mundo, afasta-te, deixa Jesus fazer parte de mim.



Nº 76 Recitativo (27, 59-66)



Ev.

E José, tomando o corpo,

envolveu-o num pano limpo, de linho,

e depositou-o no seu sepulcro novo,

que havia aberto em rocha;

e, rolando uma grande pedra

para a porta do sepulcro, retirou- se.

Mas achavam-se ali Maria Madalena

e a outra Maria,

sentadas defronte do sepulcro.

No dia seguinte,

isto é, o dia depois da preparação, reuniram-se os

principais sacerdotes e os fariseus

perante Pilatos, e disseram:



Coro

Senhor, lembramo-nos de que

aquele embusteiro, quando ainda vivo, afirmou:

Depois de três dias ressurgirei.

Manda, pois, que o sepulcro seja guardado

com segurança até o terceiro dia;

para não suceder que, vindo os discípulos,

o furtem e digam ao povo:

Ressurgiu dos mortos;

e assim o último embuste será pior

do que o primeiro.



Ev.

Disse-lhes Pilatos:



Pilatos

Tendes uma guarda; ide,

tornai-o seguro, como entendeis.



Ev.

Foram, pois, e tornaram seguro o sepulcro,

selando a pedra, e deixando ali a guarda.



Nº 77 Recitativo (Solos e Coro)



Solo (Baixo):

Agora o Senhor descansa.



Coro:

Meu Jesus, descansa em paz!



Solo (tenor):

O padecimento que os nossos pecados

lhe causaram terminou.



Coro:

Meu Jesus, descansa em paz!



Solo (Contralto):

Ó corpo bem-aventurado,

vê como te choro contrito e arrependido,

pois minha culpa te causou

estes padecimentos.



Coro:

Meu Jesus, descansa em paz!



Solo (Soprano):

Estarei eternamente agradecido a ti

pelos teus sofrimentos,

Por tua diligência

para a salvação da minha alma.



Coro:

Meu Jesus, descansa em paz!





Nº 78 Coro Final:

Prostramo-nos com lágrimas

Perante o teu túmulo e clamamos:

Repousai docemente, repousai docemente!

Repousai, membros abatidos!

Repousai docemente, repousai bem.

Tua tumba e lápide serão

Para as consciências angustiadas

Suave almofada e lugar de repouso

para as almas.

Em sublime contentamento

Adormecem os teus olhos.





Traduzido por Lukas d’Oro

Nenhum comentário: